Jenny está na fase dos trinta anos, mora sozinha, é solteira, tem um trabalho em um banco com uma chefe cruel e ainda não sabe o que realmente quer de sua vida. Sua beleza é sempre posta à prova pela quantidade exorbitante de maquiagem que usa e o relacionamento que tem com sua mãe não é dos melhores. Mas isso é toda a realidade que ela pode contar para si.

Para os outros do mundo virtual, a realidade é bem diferente. Jenny é viciada no Twitter e passa o tempo todo conversando com muitas pessoas de diversos lugares do mundo. Apesar de ter alguns colegas, somente pode contar com duas melhores amigas, sendo que uma delas enfrenta a fase cansativa de ser mãe de duas meninas bem ativas.

Jenny conversa mais com Fiona, a mãe de um menino de quatro anos, que tem uma vida confortável ao lado do marido e um casamento amoroso; Zahra que é maquiadora profissional de celebridades e muito rica e ainda Kerry que é enfermeira e trabalha quase o tempo todo e, quando não está no trabalho, está conversando com as meninas.

Tom é um doa colegas de Jenny do banco e demonstra um interesse além de amizade pela mulher. Aos poucos um encontro vai surgindo e uma afeição vai nascendo entre eles. Isso é quando Jenny resolve convidar as suas grandes amigas virtuais a virem passar um final de semana em sua casa para celebrar a amizade antes do Natal. Todas moram em cidades próximas e seria fácil chegar até ali. Como poderia ser emocionante poder conhecer todas?

Com o convite aceito começa toda a louca aventura de Jenny. Apesar de sua vida ser bem diferente do que conta via tuites, ela deseja mais do que nunca conhecer as grandes amigas que sempre a ajudam em momentos de estresse, de tristezas e afins e assim unir ainda mais o grupo.

O que Jenny não contava é que sua realidade talvez não fosse tão estranha assim. Unir pessoas pode parecer fácil, mas para Jenny pode ser um pesadelo sem fim. Quando Tom e sua mãe resolvem interferir em seus planos, o desejo de Jenny de ter um Natal cheio de alegria e amor pode nunca mais chegar.


Autora: Maria Duffy
Título Original: Any Dream Will Do
ISBN: 9788581636597
Páginas: 384
Ano: 2014
Gênero: Ficção /  Romance
Editora: Novo Conceito








Tenho absoluta certeza de que quando a autora precisou buscar algum tipo de inspiração para a personagem ela deve ter pesquisado com algumas palavras mágicas no Google e caiu no meu perfil do Facebook. Só pode ter sido isto! Sim, é sério! Parece piada mas quando comecei a ler o livro e ver como Jenny era na vida real e como ela tinha todo o seu jeito de ser e suas questões eu fiquei pensando em como poderia ser tão parecida comigo. Foi cômica a situação.

Por um lado você fica desejando sempre se parecer com um personagem de conto de fadas, que parte com um cavaleiro em um cavalo branco. E a vida real? Bom, a minha está em Minta que me Ama. Aliás, acredito que muitas pessoas vão achar que estão descritas neste livro.

Maria Duffy talvez tenha tentado uma tática nesta história, que acabou indo totalmente a outro sentido. Inicialmente há aquela mensagem natalina, em que a personagem se mostra triste com a época e tudo o mais, mas acredito que o que realmente foca no livro é em como as pessoas se jogam em redes sociais e se entregam a isso. Livros já escritos desta forma? Sim! De forma cômica e realista? Bem, esta é a questão.

O interessante da narrativa da autora está em retratar um personagem que tem suas dores internas e que em um outro mundo se mostra diferente mas de que qualquer maneira quer trazer aquelas amizades para a realidade. Até mesmo você leitor, quantas vezes já não desejou conhecer amigos virtuais pessoalmente? A boa jogada da história é esta: trazer à tona pessoas que até então se mostravam de uma forma e como Jenny, contavam uma história.

Você pode pensar que é um livro bobo mas o caminho a ser seguido pela personagem é de uma demonstração de maturidade, onde ela consegue perceber que a dificuldade da vida está mais longe do que ela imagina e assim a mensagem da autora sobre o amor e a amizade se esclarece completamente.

Minta que me Ama mostra que o tempo é precioso demais para se perder com banalidades e apegar-se a algo ou alguém não significa perder, e sim construir.

Afinal, você sabe realmente quem está do outro lado da tela?