Victoria McQueen tinha 8 anos de idade quando ganhou de seus pais uma bicicleta Raleigh novinha. Era maior que ela, mas sua empolgação não deixava isso ser percebido por ninguém. A bicicleta rosa rodava pela cidade de Haverhill em Massachussetts e fazia a Pirralha, como era chamada por seu pai, descobrir novos caminhos. 

Um dia, Vic precisou sair de casa após ver seus pais brigando por causa de uma pulseira que sua mãe perdera e ali, Vic ficou assustada por ver que seus pais poderiam se separar e ela não queria isto. Então pegou sua bicicleta e começou a andar pela floresta em direção ao rio com toda a velocidade, desejando poder encontrar a pulseira de sua mãe. Foi aí que Vic encontrou algo estranho. Uma ponte antes nunca vista e que na inscrição da parede mostrava o nome do lugar em que ela recém havia voltado de férias. Ao atravessar a ponte, Vic saiu em New Hampshire, muitos quilômetros de onde morava e encontrou a pulseira de sua mãe. A partir daí, O Atalho como seria chamado, era utilizado pela garota para encontrar o que ela desejasse.

Charlie Manx estava velho. Não o tipo de velhice que era notada. Na verdade ninguém percebia sua idade muito avançada, já que ser um vampiro lhe dava muitos anos de juventude. Andar por aí selecionando crianças para levá-las à Terra do Natal era o mais precioso que ele podia fazer. Crianças que viveriam para sempre e onde nenhuma tristeza existia. Um lugar onde todos os dias era o dia do Natal. Utilizava seu Rolls-Royce de 1938, denominado O Espectro, para levar as crianças para a felicidade, mas só podia levar uma por ano, para garantir que elas fossem felizes para sempre.

Com o passar dos anos, Vic utilizou O Atalho para encontrar diversos objetos, mas sempre que voltava duvidava do que realmente acontecia, até que colocava na cabeça que tudo não passava de uma alucinação. Aos 13 anos de idade decidiu que usaria a ponte para encontrar alguém que pudesse ajudar a fazê-la acreditar no que acontecia. Foi então que encontrou Maggie Leigh, uma bibliotecária que possuía um dom parecido com o de Vic, em que utilizava as palavras cruzadas para descobrir o futuro. Foi neste momento que Vic foi alertada que Manx estaria perto dela e que ela deveria fugir o mais rapidamente possível, pois ele era perigoso e quem caia em seus braços, jamais fugia.

Mas Vic não ouviu 4 anos mais tarde foi de encontro ao lunático Manx, direto na Casa Sino. Lá encontrou com Manx e descobriu que o maior terror que poderia ter imaginado realmente existia. Ao descobrir O Atalho, Manx primeiramente o fechou jogando a bicicleta de Vic e depois a perseguiu. Mas Vic após muito sofrer, foi a primeira pessoa a conseguir fugir dele.

Após o pesadelo ter passado, Vic casou-se com o seu salvador Louis Carmody, com quem teve um filho, Wayne. Tudo parecia tranquilo até Vic começar a receber ligações das crianças direto da Terra do Natal. Mas os telefones tocavam somente para ela. Ninguém mais os ouvia. E foi aí que Vic começou a surtar. Após diversas internações, Vic foi morar sozinha já que sua separação fez com que seu filho ficasse com seu marido.

Quando Vic decidira passar as férias com seu filho no lago Winnipesaukee, sua vida começou a ter sentido novamente. Foi na casa alugada que ela encontrou uma moto Triumph e através dela que encontrou novamente O Atalho. Mas também foi por causa dela que Charlie Manx conseguiu capturar seu filho e quase a matar, agora com a ajuda de um segurança fascinado pelo vampiro.

O que o futuro reservava nem Vic sabia. O que ela sabia era que, após conseguir fugir pela primeira vez, diversas crianças que haviam desaparecido junto com suas mães, tinham sido sequestradas por Manx. Suas mães foram mortas e as crianças levadas para a Terra do Natal. Ela sabia no que as crianças se tornavam: frias, sem sangue, com dentes em forma de anzóis. Precisava correr para encontrar seu filho. O único problema seria que alguém teria que ficar para trás...


Autor: Joe Hill
Título Original: NOS4A2
ISBN: 9788580412970
Páginas: 624
Ano: 2014
Gênero: Ficção / Terror
Editora: Arqueiro








Seria frustrante dizer que até este livro eu não sabia quem era Joe Hill. Sim, é verdade. Apesar de ser uma devoradora de livros, isto não me faz uma conhecedora total de autores ou autoras, infelizmente. Porém, após a leitura de Nosferatu, tenho a plena consciência de que a mente de Joe Hill é um complexo mundo fantasmagórico e cheio de criatividade sem igual. O cara sabe o que faz. Ao menos neste livro.

Nosferatu tem uma capa (nacional) intrigante, já que aparentemente o nome do livro não te diz muita coisa sobre o que se trata a história. Pode parecer um suspense, avaliando um carro antigo por uma estrada deserta. Mas não. Trata-se de um terror megalomaníaco. Um terror inebriante que não fere o ego com partes violentas ou cruéis, mas que desmonta o clichê de cenas com facas ou armas. Estonteante.

Inicia introduzindo com o Charles Manx em um papel ao qual ele, de forma alguma pode ser descrito e que como consequência me deixou concentrada nos acontecimentos que viriam a ser narrados. Aliás, medo é algo que Joe Hill sabe induzir ao corpo do leitor. Após isto, uma vida de aventuras da personagem principal é contada, todo um mundo de fantasias é iniciado e isto faz com que o leitor pense que a leitura vá focar em devaneios desnecessários. Não é este o caso. A criação de um atalho foi muito bem formulado, sendo que como toda a ação tem sua reação, isso não difere nesta leitura. 



Porém a reação é aflitiva. Eu não desejaria me encontrar com Charles Manx. Não desejaria, aliás estar no mesmo mundo que ele. Uma mistura de escárnio, sarcasmo e idolatria infantil, gerou em Nosferatu um monstro que é capaz de num piscar de olhos fazer tremer até o mais cético idealista. Ele não é um fantasma em um armário, não é um bicho-papão, ele é o terror interno de nossas almas.

Os capítulos vão sendo intercalados entre a personagem principal, Charles Manx e toda a história entre eles e a narrativa é muito bem feita. A diagramação está ótima e não achei erros gramaticais, o que é ótimo. Outra coisa que achei muito legal são os desenhos, que dão uma vida mais real na história e segmenta cada capítulo com novas perspectivas. 



São muitas páginas de uma boa leitura. Você vai ler e perceber que o medo não é nem um pouco imaginário e quando vir um Rolls-Royce pela rua, sua intenção e talvez sua reação não será de vislumbre e sim de pânico iminente.