Autora: B.A. Paris
Título Original: Behind Closed Doors
Páginas: 266
Ano: 2017
Gênero: Thriller
Editora: Record
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Grace é a esposa perfeita.
Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida.
Ela é casada com Jack, o marido perfeito.
Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar.
Os dois formam um casal perfeito.
Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto?
Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.
Grace é uma mulher que já passou dos trinta anos e ainda não se casou. Não que ela não deseje isto, mas suas tentativas em relacionamentos acabam sumindo quando ela fala para quem está com ela sobre sua irmã mais nova, Millie, que tem síndrome de Down. Grace é a guardiã legal da menina, já que seus pais nunca a quiseram e ela jamais deixaria que a irmã fosse dada para a adoção.
Com seu trabalho em uma grande loja varejista, Grace viajava por diversos países da América do Sul e assim também conseguia pagar o colégio interno onde Millie estudava. O plano era que a garota ficasse lá até completar dezoito anos e depois ir morar com ela.
"- Você está voltando a ficar agressiva ou é só impressão minha? Eu fico bastante satisfeito. Para dizer a verdade, eu ando bem entediado. - Ele me lança um olhar de deleite. - Vá em frente, Grace. Estou esperando você." P.64
Jack já está com seus quarenta anos. É um advogado de muito sucesso que nunca perdeu uma causa. Trabalha defendendo mulheres que são abusadas e espancadas por seus parceiros. Em uma tarde de domingo ele conhece Grace e sua irmã e fica encantando com as duas e a ligação que elas possuem. A partir daí ele e Grace começam um relacionamento perfeito, em que Grace jamais imaginaria encontrar alguém que a amasse tanto e também aceitasse Millie, que agora tinha planos de ir morar com o casal assim que completasse seus dezoito anos.
A verdade é que depois do casamento o que Grace veio a conhecer não era um Jack normal. Era um homem frio, calculista e que não a amava nem um pouco. Na primeira viagem para a Tailândia ela descobriu que seria refém de um psicopata e o que ele queria era ter Millie como sua vitima, pois o que ele gosta é de ver o sofrimento de mulheres.
Agora Grace vivia enclausurada e precisava encontrar uma saída. Tinha que mostrar a todos os amigos do marido que vivia uma vida perfeita, mas no silêncio a dor da tortura e o medo eram diários.
"Vou poder implorar por ajuda, pedir a ela que chame a polícia. Já estive nesta situação antes e sei que Jack vai acabar comigo caso eu respire diferente durante a reunião. Não só vou ser humilhada como vou ficar ainda mais desesperada. Jack não vai abrir mão da sua vingança. Entrelaço minhas mãos e percebo a tremedeira incontrolável. Eu mal comecei a entender o que o Jack sabe desde o início: o medo é o melhor freio de todos." P. 90Não sei nem como tentar explicar este livro. Como explicar tudo o que senti durante esta leitura. Este já foi o primeiro livro que favoritei como o melhor do ano, pois é inigualável o que tem em cada página desta obra.
Quando eu li algumas críticas positivas eu imaginei que seria um livro com aquela pegada psicológica que costumo ler em outros livros, nem muito cheia de ação e nem muito monótona. Então se você também pensou assim já pode adicionar mais uns 100% de medo, pavor e pânico e é isto que você vai ler em Entre Quatro Paredes.
Já no primeiro capítulo a autora coloca uma boa amostra do que vem pela frente. Não está mostrando o início de tudo e sim como o casal está se portando perante uma reunião com amigos na própria casa e aos poucos fui percebendo que tinha algo de errado, já que Grace parecia ter medo de tudo o tempo todo mesmo que aparentasse a maior calma do mundo.
Os capítulos então vão se intercalando entre a convivência com o marido e como eles se conheceram e a vida de cada um. Só posso dizer que tremi tantas vezes durante a leitura, fiquei com tanto medo que em algumas partes necessitei de tempo para respirar.
"Desço para o café da manhã. É o turno do Sr. Ho. Ele pergunta se dormi bem e digo que sim. Ele sugere que eu toma café na varanda, então atravesso o hall, lembrando as vezes em que Jack me conduziu por ali até o salão de jantar, agarrando meu braço com força enquanto sussurrava ameaças no meu ouvido." P. 233
Imagina uma personagem que tem que viver presa como refém, tem que se mostrar perfeita o tempo todo para os amigos do marido, tem que fazer as coisas dentro de um tempo estipulado para não sofrer consequências. Na verdade tudo para o Jack é um jogo e a autora conseguiu passar tão bem a imagem da psicopatia que nem eu consegui ver uma saída.
Foi uma leitura altamente torturante. A cada passo que Grace dava, o marido estava na frente sabendo o que ela ia fazer. Foi chocante mesmo. Assim que terminei a leitura comecei a pipocar as minhas amigas de mensagens, pois precisava espalhar sobre este livro para todo mundo, precisava conversar sobre toda esta história.
Queria gritar para todos que é necessário ler um livro assim para entender como há mulheres que vivem em situações assim! E o final? E o final, minha gente! Tão glorioso quanto um best-seller poderia ser. Queria poder ligar para a autora e dizer que por ser o primeiro livro publicado por ela, ela já tinha conquistado o mundo!
O melhor livro de thriller que já li até então foi este!
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